Temas musicais de um casamento

Este fim de semana, fui a um casamento onde, por vários motivos, os noivos não tiveram escolha sobre a música que passou. A dada altura, apareceu um moço com uma guitarra a dizer que ia tocar umas músicas, e algum tempo depois apareceu o noivo na nossa mesa a dizer “Eu não faço ideia quem é este gajo, só soube que ele ia tocar coisas há 5 minutos”.

Portanto, foi mais ou menos isto:

  • Quando a cerimónia de casamento acaba, o DJ de serviço mete uma versão instrumental do Hallellujah. Na altura, até me ri interiormente, porque tendo em conta que os noivos namoravam há 1000 anos, realmente foi um bocado aleluia dar-se o casamento.
  • No copo de água, o DJ vai discretamente pondo música… Até que, inexplicavelmente, sobe o volume ao ponto de não se poder conversar no momento em que começa a ser distribuído o prato de peixe. A música era o Surfin’ USA. Passado 1 minuto, voltou a música ao volume normal.
  • No prato de carne, volta o DJ a subir o volume. Honestamente, não me lembro qual era a música, mas dava para fazer ainda menos a ligação do que com o Surfin’ USA -> Peixe. Também baixou o volume passado pouco tempo. Começámos aí a desconfiar que o DJ era um bocado parvo.
  • Constatámos que o DJ desaparecia por largos períodos de tempo e que, quando estava ao computador, aparentava estar a ver um streaming de um jogo de futebol.
  • Antes das sobremesas, entra o tal indivíduo da guitarra.
  • E chegamos então ao ex libris musical. Músicas que o senhor achou que eram de valor num casamento:
    • Amiga da Minha Mulher, do Seu Jorge
    • Anel de Rubi, de Rui Veloso
    • I Will Survive (??)
  • E a cereja no topo do bolo: uma das convidadas decidiu que era este o momento para a sua audição dos Ídolos, e tentou fazer um dueto com o artista da Hallelujah (por esta altura já eu vomitava a música).
  • Dois pontos: a moça não cantava especialmente bem, e achei a coisa mais narcisista de sempre sacar de um microfone e cantar num casamento, sem ser pedido pelos noivos.  Quase tanta falta de noção como o artista a tocar música sobre adultério e fim de relações num casamento.
  • A perua foi-se embora, e o artista perguntou: “alguém tem pedidos?”. Tentei convencer alguém na minha mesa a pedir a Turbinada, mas ninguém teve coragem.

Pelo menos, ficará na memória esta selecção musical.

A selva do Linkedin

Recebo mensagem no Linkedin de (o que suponho ser) um recrutador, dizendo algo como:

“Estive a ver o teu perfil e acho que eras óptima para uma vaga na empresa X, podes ver no link abaixo”.

Vou a ver o link, pedem um Senior Backend Developer, Java e .NET.

Perguntam-me vocês, e então, qual é o mal?

Não faço Java há 5 anos, e nunca peguei em .NET na vida.

É ignorância? Sendo ignorância, não é requisito do emprego que têm saberem o que estão à procura? É não ler o que está no Linkedin e, no desespero, mandar a mesma mensagem a toda a gente que tenha a palavra “backend” no perfil?

Outro clássico é eu já ter posto na minha descrição de perfil “I’m not interested in working in consulting firms, thank you.”, e mesmo assim chegarem diariamente pedidos de consultoras.

Desculpem se isto parece first world problems, já que muita gente não tem acesso ao volume de oportunidades e mensagens que eu (e maioria dos ITs) recebe; mas qual o interesse dos recrutadores e gestores perderem tempo a escrever uma mensagem a alguém que diz claramente que não está interessado?

Também me faz lembrar o clássico telefonema em que a pessoa do outro lado começa a desfiar o rosário de como a empresa deles é incrível, como o projecto é incrível, sem me perguntarem antes ou me darem sequer oportunidade de dizer que não estou interessada sem antes passarem 10 minutos de monólogo. Perdem todos tempo, é desagradável.