Fight com os CTT, o pão nosso de cada dia

Já tive muitas lutas com os CTT, e eu costumo ser uma pessoa calma ao telefone. Hoje foi o dia em que me exaltei ao telefone, mas sem ser mal educada claro.

A situação foi a seguinte: tenho uma encomenda em vias de chegar da Coreia desde o início da semana. O Mr. IT tem estado em casa, e portanto tinha alguma fé que fosse chegar até hoje, para ele poder receber a encomenda.

O que costumo fazer, dado que não estamos em casa à hora de passagem do carteiro, costumo fazer um pedido SIGA, que permite reagendar a entrega, pedir a entrega noutra morada, ou a entrega num posto CTT, que é a opção que escolho sempre, já que assim consigo ir levantar as minhas coisas na hora de almoço. Este pedido tem um custo de 2 euros e tal.

Hoje chego a casa e tenho um Aviso de Entrega na caixa do correio. Fiquei wtf, mas pensei “olha, se calhar o Mr. IT foi ao ginásio de manhã e não me disse nada”. E foi isso que lhe perguntei quando cheguei a casa.

Eis que ele diz que não, que o carteiro efectivamente tocou à campainha, abriu-lhe a porta da rua, e depois ficou à espera que ele aparecesse. Que não aconteceu. Ou seja, o sacana do carteiro teve a lata de tocar e de não fazer a entrega.

O azar dos CTT é que eu chego a casa antes das 18h, ou seja ainda estou dentro do horário deles. Saco furiosamente do telefone e começo a fazer chamadas.

Fiz primeiro a chamada para o posto para onde a encomenda vai ser encaminhada. Atende-me uma senhora, e eu explico a situação, e se é neste número onde me posso queixar. A senhora diz, meio a rir-se, se me quero queixar de ter de ir levantar uma carta. Aí irrito-me – mas, repito, nunca fui mal educada – e digo não, quero queixar-me do facto do carteiro ter tocado à campainha, lhe ter aberto a porta e ele não ter feito a entrega.

Deu-me um número de telefone do centro de distribuição, que eu não consegui apanhar direito à primeira, e depois começou com um discurso de “já não vai apanhar lá ninguém”, ao que respondo “ainda não são 18h”, “ah mas eles começam a trabalhar muito cedo”, “olhe, eu também começo a trabalhar cedo e não é por isso que faço mal o meu trabalho ou não cumpro horários”.

Não me pediu desculpa pelo sucedido / incompetência do carteiro.

Liguei então para o centro de distribuição. À segunda tentativa atendeu-me um senhor mais simpático, e já não fui tão brusca. Disse só o que tinha acontecido, e se era aqui que me podia queixar, “sim senhora, é aqui que se pode queixar”. Pediu-me os dados, e perguntou se dava para reagendar a encomenda. Eu disse que não, porque na segunda-feira estaria a trabalhar, e o que costumo fazer nestas situações é pedir o SIGA, mas que “recuso-me a pagar por algo a que eu tenho direito, que é a entrega de encomendas estando gente em casa”.

O senhor disse que segunda-feira não podia, mas que terça-feira às 7h30 (hora dada por mim) ia mandar alguém entregar-me a encomenda. O senhor foi muito correcto, e fiquei satisfeita, dentro dos possíveis, com a resolução, e desejei-lhe um bom fim de semana. Mesmo assim, ninguém me pediu desculpa pela incompetência do carteiro.

Isto é algo que já me tinha acontecido no Porto, mais concretamente com a minha mãe, que estava a chegar a casa e o carteiro estava a pôr cartas nas caixas. Ela ficou a observar desde o momento em que o carteiro chegou e começou a fazer isso. Viu-o a sacar logo de um aviso de entrega e colocá-lo na nossa caixa. Aí confrontou-o: “sou do 5º esq., e acabei de ver o senhor a pôr o aviso de entrega sem sequer tocar à campainha de casa. Faça favor de me entregar agora a encomenda”. Ele nem sequer tinha o pacote com ele! A minha mãe ligou naquele momento aos CTT e depois ao centro de distribuição, apresentou queixa, e o carteiro foi ainda naquele dia entregar o que tinha a entregar.

Andam carteiros honestos a fazer o seu trabalho, mas também andam estes mandriões que não se dão ao trabalho de trazer toda a correspondência devida consigo para entregar, sendo mais fácil deixar o aviso… Este ainda teve a lata de tocar para o destinatário para entrar – em casa dos meus pais as caixas de correio são externas, enquanto que aqui já são no hall de entrada do prédio, portanto ele precisaria sempre de tocar a um dos andares para entrar. O Mr. IT achou que ele tinha tocado, mas que depois teria deixado só cartas nas caixas.

Enfim! Ao menos a minha queixa serviu para um reagendamento, e pode ser que dêem um raspanete ao carteiro de forma a não repetir a gracinha.