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Agora que Mário Soares morreu, os jornais vão poder finalmente dar uso aos obituários que andavam a preparar há semanas:

Ontem foi um telejornal inteiro a falar do senhor, e do cortejo fúnebre que vai passar por Lisboa inteira amanhã.

Só penso naquela família que, para além de ter tido os abutres dos jornalistas desde o primeiro dia em que fui internado, na ânsia do senhor morrer e de serem os primeiros a noticiar o facto, de verem agora o seu luto transformado neste circo mediático gigante.

Universidade e o Mimimi

Acabo de ler um artigo na Visão que me fez muita espécie:
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Podem ler o artigo na íntegra aqui.

Felizmente, alguém conseguiu escrever exactamente aquilo que penso, mas por palavras mais simpáticas:

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Subscrevo tudo o que é dito neste comentário, e acrescento:

Fica três décimas aquém da média do último classificado e culpa o Governo. WTF?

O sistema de avaliação é o que é, estão todos sujeitos ao mesmo. Se não conseguiu, tem três hipóteses:

  • tentar novamente para o ano
  • desistir
  • ir tentar a sorte noutro sítio.

Para quê estar a chorar e a pôr as culpas para cima de outros pelo seu falhanço?

Faz-me lembrar as manifs da geração à rasca, que estavam em voga na altura em que eu própria estava a tirar o curso, e havia muita malta que se ia queixar e estava em cursos que tinham ZERO saída, mesmo muito antes de terem iniciado os estudos na área.

A esses apetecia-me apenas dar-lhes uma chapada para acordarem para a vida. “Ah, mas é o curso dos meus sonhos”. Certo, e se querem seguir em frente com isso, toda a força. Agora, por amor da Santa, não vão lamentar-se que não têm emprego no final, porque isso era algo que já sabiam logo à cabeça. Querem seguir os sonhos, assumam responsabilidades por isso (ter um plano B, por exemplo), ou fiquem cientes à partida que vão ter de emigrar.

Chorar na praça pública que as coisas que correm mal na sua vida são culpa dos outros é algo que me deixa mesmo muito irritada, e este caso da carta aberta da aspirante a estudante de Medicina foi outro desses casos.

O dia em que tive papparazis

Na realidade, não fui eu, mas sim a minha cadela.

Estou eu na rua com ela para ela fazer o seu xixizinho, quando vejo uma mãe e sua criança a olhar para mim e a falar entre si. Para referência, o miúdo já devia ter os seus 6 anos.

Já habituada a isto, penso “vão-me pedir para fazer uma festinha à cadela”. O que é aceitável e normal; embora a cadela não ache muita piada a estranhos a mexer-lhe, nunca digo que não às crianças, digo só que ela é assustadiça mas que não faz mal a ninguém.

Mas o que se passou desta vez foi completamente ao lado disso. Nem a mãe nem a criança falaram comigo em momento algum.

A criança simplesmente saca de um telemóvel e aponta para nós, e suponho que começa a tirar fotografias.

Senti-me altamente desconfortável. Sei que deviam estar a fazer mega zoom para apanhar só a cadela, mas eu estava ali ao lado. Qual a dificuldade de me perguntarem se podiam tirar uma foto à cadela? Eu ia dizer que sim, sem qualquer problema, não é a primeira vez que me pedem isso.

Mas o que pensaria a mãe da criança se eu do nada também começasse a tirar fotos ao miúdo quando ela ia a passar na rua?

Se fosse só o miúdo, eu não ligava, já que os miúdos fazem muitas coisas sem ter noção. Mas isto foi com a mãe ao lado, e a encorajá-lo. Não foi com o miúdo que me chateei, foi com a mãe.

Liguei o modo “Miss IT vai lixar-vos o esquema”. Pus-me sempre à frente da cadela para que não conseguissem tirar fotos. Não lhes disse nada, mas quando passei mais perto deles, ainda com o miúdo a apontar o telemóvel para mim, olhei para a mãe directamente nos olhos – com ela a fazer um sorriso parvo – e fiz-lhe um olhar acusador. Abanei a cabeça e tudo.

Mais do que não ter paciência para miúdos – que não tenho, anyway – não tenho paciência para pais que acham que os miúdos podem fazer tudo o que lhes passa pela cabeça porque são miúdos. E pior ainda, quando os pais estão a incorrer numa falta de educação / noção, como neste caso, e ainda ficam a olhar para mim com aqueles sorrisos parvos de “é um miúdo, portanto isto é aceitável”.

É o mesmo sorriso que vejo quando um miúdo está farto de vir incomodar a minha mesa num restaurante, e os pais não o repreendem nem me pedem desculpa. Fazem só o sorriso parvo “crianças, não é?”.

NÃO.

EDUQUEM OS VOSSOS MIÚDOS, PORRA.