Ambições de carreira

Estou no que considero ser uma fase menos boa a nível profissional. Embora goste do que estou a fazer, não adoro, como já adorei no meu anterior cargo, tanto a nível técnico como a nível do mau ambiente que se sente na empresa, e que se tem vindo a agravar nos últimos meses.

A minha grande ambição é trabalhar remotamente. Na área em que estou, é perfeitamente possível, geralmente no modelo de freelancing. Isso já não me atrai tanto, não me vejo com estofo para aguentar a ansiedade de um rendimento variável.

O que quero mesmo é conseguir um cargo numa empresa estrangeira, mas onde consiga trabalhar a partir de Portugal, em casa. Um ex-colega meu conseguiu, e as vantagens eram enormes – nomeadamente, um salário americano, que há-de ser o dobro do salário português.

O meu salário não precisava de duplicar, nem é o meu grande objectivo. O que me cansa é a paisagem tacanha do desenvolvimento de software em Portugal, que envolve o chico espertismo e desenmerdanço que tanto nos caracteriza – o que tem muita piada para começar, mas na hora de reflectir sobre a carreira, chega-se à conclusão que não há nada para mostrar, tudo foi montado em cima do joelho, boas práticas pela janela, martelanços de código a torto e a direito.

Tenho ex-colegas que foram para o UK e que me falam de terem tempo para se educarem, aprenderem mais sobre as ferramentas que usam, e de como melhorar o seu trabalho todos os dias. Em Portugal? Bitch please. Como assim estás livre?! Vamos lá entupir-te de coisas que não interessam nem ao menino Jesus “porque eu mando”, e explorar esta malta ao máximo possível.

No estrangeiro, vejo oportunidades de ficar mais próxima do nível dos grandes contribuidores da actualidade.

Agora vem o plot twist! E conseguir um emprego sem ter portefólio de jeito, que transmita confiança? E conseguir um portefólio de jeito, quando uma pessoa não tem tempo para respirar?

Pois.

Eu vou-me candidatando na mesma.

Coisas que me fazem espécie

Malta não IT, ou seja, que não tem de todo noção da complexidade do que está a pedir, a dizer “eles fazem isso na boa até ao fim do dia!!”, connosco a dizer que vai demorar uma semana.

Somos capazes de conseguir até ao fim do dia, sim. Mas depois não se queixem que deu merda, porque a qualidade irá certamente deixar a desejar.

E isto acontece a toda a hora, não é de todo um caso isolado!

Não sou um unicórnio

Até ter vindo trabalhar para cá, havia algum espanto por eu ter o curso de Engenharia Informática, mas nada por aí além. Do género, “boa, uma moça informática”.

Aqui, parece que ainda é um burro a olhar para um palácio. Nunca me senti tão constrangida por ter a profissão que tenho, porque fazer-me lembrar todos os dias que antes de ser Informática, sou mulher. É bizarro.

Entretanto já me habituei ao estatuto de unicórnio. Não é nada que seja necessariamente mau! Gera um pouco de desconforto, inicialmente, por estar a chamar demasiado à atenção. Mas, ao menos, ninguém me passou um atestado de incompetência por ser mulher (que, imagino, seja mais comum em Mecânica e afins).