Não estão a ajudar ao ser sassy

Em relação a este post no Medium, e a outros semelhantes: 11 Things Developers Love Hearing From Non-Developer Co-Workers.

Eu também já fui um bocado assim, e reclamo q.b. aqui no blog sobre situações parvas com que me deparo no meu dia a dia.

No entanto, há muita gente (programadora) que acha que deve responder de forma sarcástica a tudo o que lhe pedem, ou nem fazer um esforço por explicar cenas às pessoas cuja área não é IT.

Só se perpetua o mito que somos uns bichos do mato, e as outras pessoas deixam de se esforçar por nos darem requisitos claros também. Prejudica toda a gente.

Quando me perguntam cenas, não as mando ir ver ao Google, a menos que me tenham perguntado 3 vezes a mesma coisa. Se o que me pedem não faz sentido, explico porquê, sem passar um atestado de estupidez a quem pergunta.

Acho que isto também ajudaria a termos uma comunidade menos tóxica no geral.

A selva do Linkedin

Recebo mensagem no Linkedin de (o que suponho ser) um recrutador, dizendo algo como:

“Estive a ver o teu perfil e acho que eras óptima para uma vaga na empresa X, podes ver no link abaixo”.

Vou a ver o link, pedem um Senior Backend Developer, Java e .NET.

Perguntam-me vocês, e então, qual é o mal?

Não faço Java há 5 anos, e nunca peguei em .NET na vida.

É ignorância? Sendo ignorância, não é requisito do emprego que têm saberem o que estão à procura? É não ler o que está no Linkedin e, no desespero, mandar a mesma mensagem a toda a gente que tenha a palavra “backend” no perfil?

Outro clássico é eu já ter posto na minha descrição de perfil “I’m not interested in working in consulting firms, thank you.”, e mesmo assim chegarem diariamente pedidos de consultoras.

Desculpem se isto parece first world problems, já que muita gente não tem acesso ao volume de oportunidades e mensagens que eu (e maioria dos ITs) recebe; mas qual o interesse dos recrutadores e gestores perderem tempo a escrever uma mensagem a alguém que diz claramente que não está interessado?

Também me faz lembrar o clássico telefonema em que a pessoa do outro lado começa a desfiar o rosário de como a empresa deles é incrível, como o projecto é incrível, sem me perguntarem antes ou me darem sequer oportunidade de dizer que não estou interessada sem antes passarem 10 minutos de monólogo. Perdem todos tempo, é desagradável.

VACANCES

Ando saturada, e a aguardar ansiosamente por este dia, o início dos meus 15 dias de férias de Verão, há muito tempo.

Aqui no trabalho tem sido plot twist atrás de plot twist. Um dos grandes plot twists foi que mudei de backend para frontend (ie. passar de trabalhar em coisas que vocês não vêm num site para a interface) e que, quase tão repentinamente como me mudei para esta área, fiquei eu ao leme, provisoriamente.

Só assim é que fico ao leme de coisas: quando não há mais ninguém na equipa.

A mudança em si foi óptima para mim. Estava numa fase em que me sentia a estagnar horrivelmente, num lodo de aborrecimento e de ansiedade por ir para casa. O que estou a fazer agora é mais interessante, na medida em que estou a aprender uma framework nova que fica muito bem no CV.

Por outro lado, existe toda uma pressão para ter as coisas prontas ASAP. Eu lavo as minhas mãos desse drama: não fui eu que geri a (inexistente) passagem de conhecimento que houve entre a pessoa que estava nesta equipa e eu, nem é minimamente realista esperar que eu vá ter coisas prontas ao mesmo ritmo que o meu colega, especialmente tendo em conta que eu nunca tinha trabalhado com esta framework antes. A partir do momento em que frisei isso aos RH, não estou minimamente preocupada, e faço as coisas ao meu ritmo.

Apesar desta mudança boa, estava mesmo a precisar de me afastar do trabalho.

Portanto, meus queridos: sei que tenho andado desaparecida deste blog, mas lá vou eu de férias!