Sistema de quotas

Vi hoje muita gente revoltada com a lei das quotas de género, que foi aprovada hoje.

Eu era contra a ideia de um sistema de igualdade “forçada” em vez de meritocracia – e já expus aqui várias vezes a minha dúvida em se estou a ser contratada pelo meu mérito ou porque fica bonito ter nos quadros uma mulher programadora.

Mas, em Abril passado, ouvi o Pedro Pina, da Google, falar sobre o tema da diversidade em empresas.

Um dos pontos que ele salientou foi precisamente o sistema de quotas. E deu um exemplo recente o suficiente para nos lembrarmos da situação.

Nos anos 80, nos Estados Unidos, não havia classe média de afro-americanos. Havia uma minoria muito bem sucedida, mas quase exclusivamente nas áreas de entretenimento (Whitney Houston) e desporto (Michael Jordan). O restante estava na classe baixa, sem riqueza histórica (avózinhos/paizinhos ricos) nem hipótese de emprego para financiar uma boa educação, que por sua vez daria acesso a empregos melhor compensados, e, por consequência, à classe média.

Na altura, implementou-se o sistema de quotas em algumas escolas / universidades de topo para afro-americanos.

Se foi injusto para quem tinha melhores notas e ficou de fora em favor de outra pessoa? Foi. Mas, a longo prazo, foi graças a isso que se conseguiu começar a criar uma classe média, que podemos observar hoje em dia no país. E a sociedade ficou mais justa no geral.

O Pedro rematou o assunto com um “não sei se fui contratada por ser mulher, mas está na altura precisamente de ser contratada por ser mulher”.

Para mim, a apresentação dele foi “life changing”. Nunca tinha visto o problema desta perspectiva.

Claro que ainda me sinto desconfortável com a ideia de ser um número num gráfico de diversidade, mas se isso vai ajudar gerações futuras, ponho o meu ego de parte. Se criarmos condições especiais para mulheres em determinadas áreas, começará a ser mais aceite termos mais mulheres nessas áreas.

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