Vídeos de 1988

O meu pai, sendo um tech geek muito antes de isso ser fixe, tinha uma câmara de filmar nos anos 80, daquelas enormes. Temos filmagens desde 1987, sendo que eu nasci em Outubro de 1988. Há, por exemplo, uma cassete de Agosto de 1988, no aniversário do meu pai, em que a minha pessoa está na barriga da minha mãe.

Há um ou dois anos, o meu pai comprou daqueles kits de converter VHS para digital, e perdeu umas horas a pôr o nosso leitor de VHS a funcionar – bolas, aquilo se apanhava um bocado de pó ia desta para melhor, e as cassetes idem – para resgatar os tesourinhos. Houve muitas filmagens que não se safaram porque, you know, analógico. Uma alteraçãozinha no nível de humidade na fita e já foste, um bocadinho de pó e o leitor vai com o caraças.

Desde essa altura que eu tenho também uma cópia dessas cassetes em formato digital no meu computador, e ocasionalmente revejo-as. Gosto de rever as que eu não existo ou ainda sou muito bebé, porque tenho vergonha das minhas figuras enquanto criança, prefiro esquecer e achar que era uma criança adorável.

Há sempre uma emoção muito forte quando vejo estes vídeos. Não de me ver em bebé, ou da casa onde passei a minha infância, mas ao ver os meus pais. A minha mãe tinha 29 anos quando eu nasci, e o meu pai 32. Tenho quase a idade deles, mas nem é por aí. É algo tão forte que nem consigo explicar a 100% por palavras, mas passa por os ver tão novos nestas imagens, e hoje estarem nas casa dos 60 anos. De como o tempo passou, e a vida deles também. Enche-me de tristeza, e desejo tanto que eles pudessem ser novos outra vez.

E depois há os vídeos não do nosso dia a dia enquanto família – há um maravilhoso, em que eu tenho 1 mês e pouco, em que eu arroto, o meu pai diz “cheiras mal”, e a minha mãe, que está a filmar, diz “então prepara-te para o que aí vem”, e dito e feito, 1 segundo depois estou a bolsar – mas de festas de anos, em que se juntavam amigos dos meus pais, família, etc., e respectivas crianças.

E, para além de ver os meus pais em amena cavaqueira, vejo pessoas que só me lembro da minha infância porque entretanto se afastaram, vejo pessoas que nos eram próximas e que entretanto já morreram… A minha tia que morreu de cancro, o padrinho da minha irmã, que nos era muito próximo, que morreu sozinho noutro país, a mulher dele ali tão jovem e hoje viúva… Choro muito a ver estas coisas, mas nem consigo explicar direito porquê. Porque, se formos a analisar, não são histórias tristes as que aqui se vêem. Os meus pais estão bem, eu e a minha irmã somos adultas e estamos bem na vida. Houve momentos tristes, mas também houve momentos felizes, e a vida é mesmo assim.

Talvez isto seja a tristeza de saber que nunca mais vou ver os meus pais como os vi quando era criança. E que não vão durar para sempre.

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