Método KonMari

Um dos livros que li este Verão, enquanto estava em casa dos meus pais, foi o livro “Arrume a sua Casa, Arrume a sua Vida” (título português, e em inglês “The Life-Changing Magic of Tidying Up”), da Kondo Marie.

O conceito que a autora nos apresenta é simples: analisar os nossos pertences e ficar apenas com aquilo que nos traz felicidade. Tudo o resto manda-se fora (doar ou lixo, dependendo da situação). Chama-se a este processo Método KonMari (do nome da autora)

Durante o livro, explica-nos a melhor forma de lidar com este processo, separando os pertences por categorias, independentemente da divisão da casa, e a ordem que devemos seguir para a limpeza fluir melhor (começar pela roupa, por exemplo, e acabar em coisas sentimentais).

O que a autora defende é que, se nos rodearmos apenas das nossas coisas preferidas, iremos ser mais felizes também. Ao ter menos coisas, estaremos mais cientes daquilo que precisamos realmente e evitamos acumular mais tralha. Por último, depois de aplicar o sistema de arrumação, não há tendência para voltar à “bagunça” anterior – ela chega mesmo a dizer que não tem nenhum cliente que tenha voltado ao caos!

Eis um exemplo de antes e depois:

before-after
Link para uma descrição de processo muito detalhada na imagem!

Eu, feita ursa, só tirei fotos ao “depois” do meu armário, e portanto não tenho nada para fazer um brilharete. Aconselho a ler o post acima, já que eu não vou entrar em muito detalhe sobre o método, apenas como correu para mim.

Portanto, li o livro em casa dos meus pais, e, sem ver fotos nenhumas de antes e depois, decidi que iria aplicar este método em minha casa ASAP. A única coisa que vi foram vídeos a detalhar o método que a autora explica para dobrar a roupa – que deve ficar arrumada na vertical, e não na horizontal, para 1) ocupar menos espaço 2) ser mais fácil para vermos toda a roupa que temos à disposição.

E assim foi. Cheguei a casa numa quarta-feira, e no Sábado seguinte entreguei-me a esta causa.

Não foi fácil. Especialmente porque foi daqueles fins de semana infernais com temperaturas próximas dos 40 graus. Bebi mais de 2 litros de água durante o processo, comecei às 10 da manhã, fiz intervalo para almoço, voltei à carga às 15h e fechei o tasco às 18h. E nesse dia só tratei de roupa!

… e só de roupa, foram 4 sacos de 100l para dar.

Montes e montes de coisas que eu tinha em casa só porque “um dia vou usar”, “um dia vou emagrecer e vou caber nestas calças”, “isto ainda pode vir a dar jeito para o trabalho”. Depois de ler o livro, apercebi-me que esse dia não vai acontecer. Vá, emagrecer ainda pode acontecer, mas nessa altura vou estar de parabéns e posso comprar calças novas 😀 Mas já não precisava de me sentir culpada por mandar aquela roupa fora, nem tinha mais de olhar para ela e sentir-me culpada por não lhe estar a dar uso.

Neste momento, a única categoria que me falta é a das meias. Aldrabei um bocado a ordem sugerida, e já tratei dos papéis e das coisas sentimentais lol

Resultados até agora? Agora não me acontece “esquecer-me” que tenho uma determinada peça de roupa. Penso em algo que quero vestir e sei onde está, porque determinei que roupa do tipo X vai para a gaveta A. Antes tinha que pôr a roupa de Inverno numa das gavetas debaixo da cama quando o tempo estava quente, e vice versa; agora a roupa de Verão está na cómoda, a de Inverno no armário. Com a quantidade de coisas que mandei fora, ganhei espaço para organizar os meus pertences de outra forma, e algumas coisas migraram, sendo o maior exemplo a roupa sazonal que pode coexistir 🙂

Está tudo visível ao abrir de uma gaveta, e assim sei que não vou ter surpresas do tipo “eeeeei já não via esta camisola aos anos” (de ter sofrido o fenómeno da sedimentação no armário). Adoro o sistema de dobragem na vertical, não só porque me permite ver toda a roupa de uma só vez, como também já não me acontece querer tirar uma blusa que estava mais para baixo na pilha e desdobrar a roupa toda que estava em cima. E também consigo arrumar mais coisas no mesmo espaço desta forma.

Tenho algumas peças de roupa que estou na dúvida se as mantenha ou não. O mais provável é que também as encaminhe para dar, não me estão a trazer valor nenhum.

Em termos de regresso da bagunça, ainda não aconteceu. Por um lado porque agora cada coisa tem o seu lugar, como também sei o suor que me custou a organizar tudo. Assim que chego a casa, pouso a minha bolsa, sapatos e roupa de rua nos sítios que defini. Trato logo disso, em vez de deixar tudo ao monte em cima da cama para arrumar quando me fosse deitar.

Há coisas no livro com as quais não concordo – quem for a ler o livro irá deparar-se com a passagem de agradecimento diário aos nossos pertences, que eu achei só parvo. Mas, como tudo na vida, cada um adapta o método ao seu gosto e ao que resulte melhor no seu caso.

Eu estou contente com os resultados que estou a ter. Recomendo a ganharem coragem e a fazerem uma limpeza profunda deste género. Só é preciso o esforço uma vez, depois a manutenção é mínima.

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