Sobre o futebol

Football Soccer - Portugal v France - EURO 2016 - Final - Stade de France, Saint-Denis near Paris, France - 10/7/16 Portugal celebrate with the trophy after winning Euro 2016 REUTERS/Carl Recine Livepic

Quando era adolescente tive uma fase que gostava mesmo de ver futebol e seguia os jogos do Fócul (FCP). Depois deixei-me disso, essencialmente porque me cansei dos dramas entre clubes que mais parecem os Morangos com Açúcar, e passei só a ver os jogos de Portugal. Depois do balde de água fria de 2004, acreditei sinceramente que nunca mais iríamos ganhar nada, já que em 2004 tínhamos a melhor equipa de sempre.

Neste Euro, nem cheguei a ver o primeiro jogo, o segundo só apanhei a primeira metade em Niagara Falls, o terceiro vi a primeira parte mas o resto só consegui ouvir o relato. Nos quartos de final achei que tínhamos tido muita sorte, mas nas meias finais comecei a ficar com esperança.

Não posso dizer que, no domingo, estivesse racionalmente à espera que fôssemos ganhar. Mas lá dentro tinha muita esperança que eles conseguissem marcar um golito e que fizessem todos os que criticaram e mandaram abaixo engolir um grande sapo.

Passei a primeira parte em estado de nervos como já não estava desde 2004 com futebol. Tive de tomar coisas no intervalo! Eu levantava-me do sofá, ia à janela, sentava-me outra vez, não tinha posição.

Na zona onde moro existe um fenómeno, que é o eco. Algumas pessoas assistem aos jogos via Sport TV, que tem um ligeiro avanço em relação à RTP, pelo que começam eles aos gritos antes de nós, comum ralé da RTP. Portanto quando comecei a ouvir gritos, o meu mundo parou e fitei a TV. Será que é mesmo golo? Ou será que foi só um ameaço?

Mas foi mesmo golo. E aí parecia uma lunática. Comecei aos gritos, aos saltos na sala, a minha cadela estava claramente WTF com a situação, depois deu-me para o choro, não acredito que isto está a acontecer.

Quando o jogo acabou, a mesma coisa. Fui para a janela aos gritos.

Não fui para o Marquês, nem consegui ontem ver o autocarro da Seleção a passar porque não nos deram a tarde no trabalho (embora tenha havido muitas empresas que o tenham feito). Tive pena da parte do autocarro, porque, apesar de ser claramente excessivo, teria gostado de ter participado nessa festa.

Acho que, se houve dia para excessos, festa e azeiteirice em geral, foi mesmo ontem, e estamos todos desculpados por isso, porque realmente foi motivo para isso.

Agora que a poeira da festa assentou, sinto que, no domingo à noite, viajei 12 anos no tempo e voltei a ter 15 anos, quase 16, a ver o futebol.

Deixar uma resposta