Vamos acrescentar esta feature, não demora tempo nenhum a fazer pois não?

Começámos recentemente a organizar as nossas tarefas para realizarmos durante a semana, e estimámos todas as tarefas para termos ideia de quando é que será o lançamento da plataforma – o que também teve o seu quê de drama.

Fechei uma das tarefas da minha semana, tarefa essa cujo resultado ficou 90% fiel ao que estava previsto em mockup, os outros 10% eu removi porque deixou de fazer sentido com a nova estrutura. Mostrei ao chefe, que olhou para aquilo, e disse:

“Ah, amanhã passo-te um mockup por causa desses 10%”.

No dia seguinte, chamou-me logo quando cheguei para vermos os tais 10%.

Ele não tinha revisto 10%, tinha revisto 70% do funcionamento do que já eu tinha feito. Comecei a apontar as alterações e a chorar por dentro por tempo que perdi no desenvolvimento de algo que vai ser para alterar no dia a seguir.

No final, ele comenta, em jeito de gozo:

“Agora tens de ter isto feito no tempo da outra tarefa”

Ele diz as coisas em jeito de gozo, mas eu já apanhei que ele na realidade está a falar a sério e a mandar bocas.

“Isso não vai dar, porque terminei ontem essa tarefa”

“Então estás atrasadíssima” (ainda no “gozo”)

E eu respondi-lhe:

“Vou criar uma tarefa nova, estimo o tempo e depois encaixamos isso na próxima semana de planeamento, pode ser?”

Não esperei por resposta, porque fiz a pergunta mas na realidade estava a afirmar que era isso que ia acontecer. Ele fez-me um olhar não muito satisfeito, mas ainda disfarçado de gozo. Senti imediatamente que ele não tinha gostado da minha resposta, e que provavelmente estava à espera que eu fizesse a alteração no próprio dia.

Fui a estimar o tempo das alterações que me pediu. Dei 3 dias para isso.

Passado pouco tempo ele viu a tarefa. “TRÊS DIAS?!?!?!?”.

Não lhe respondi.


Muita gente acha que pedir alterações é canja e que se faz na hora para ficar como idealizaram. Só não percebem que por trás do que já está feito há muito trabalho para pensar qual a melhor forma de ficar a coisa estruturada, e que essa alteração altera a raíz do que ficou feito. Ou seja, a alteração torna lixo o que tinha ficado feito anteriormente.

A única forma de “educar” não dizer que é uma porcaria porque tudo o que estava para trás é invalidado: é mesmo dizer “faço, mas vai demorar X”. Ao fim de N paridelas, começam a aperceber-se que vai ter impacto nas datas de lançamento, e já vão começar a pensar duas vezes em pedir parvoíces.

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