Porquê Informática, Miss IT?

É uma pergunta que me fazem muito em entrevistas, e acho que as pessoas em geral perguntam-se o mesmo quando me conhecem.

No meu ano de curso, éramos cerca de 100, em que 10 eram mulheres – que já é uma percentagem elevada. Das minhas colegas, havia uma que tinha ido logo pelo ramo tecnológico do secundário porque “amigas também tinham ido”, e portanto passou grande parte do curso insatisfeita porque não sabia o que havia de fazer com a vida. Acabou por lhe correr bem a vida, que acho que qualquer outra opção dela daria para o desemprego. Como ela, havia outras que foram na base da influência.

Tirando essa que foi atrás das amigas – coisa muito típica entre miúdas, parece-me – todas as outras tinham razões perfeitamente normais. Porque sempre gostaram de computadores, porque queriam fazer jogos, porque desde sempre dominaram a coisa.

O meu caso foi uma mistura de ambos.

Venho de uma família de Engenheiros Informáticos, que se conheceu na mesma empresa. Este apresenta aquele, aquele casa com o outro, e pumba. O meu pai é Engenheiro, dois dos meus tios são Engenheiros, os meus primos são Engenheiros. Temos todos cursos diferentes, mas a base está lá.

Derivado disso, sempre tive computadores em casa. Aliás, uma pessoa uma vez perguntou-me “Então, o que te fez enredar por esta vida? Nasceste e deram-te um computador para as mãos?”. A resposta é “Quase”. Tive uma infância normal para os anos 90, mas ia fazendo brincadeiras ao computador.

Aliás, quando era muito miúda, queria mesmo era ser veterinária, porque desde que sou gente que adoro animais. Os meus familiares conseguiram fazer-me desistir disso, dizendo sempre “olha que vais ter que ver muito sangue…”. Quem raios diz isso a uma criança? Enfim, adiante!

Nos meus 12 ou 13 anos, com acesso limitado à net e já com algumas pancas geek (livros high fantasy, cultura japonesa, jogos), comecei a fazer sites. Comecei por fazer um blog pessoal, muito rudimentar a nível técnico, só com páginas estáticas. Fazia o design e o código, o design na base do Photoshop e não exactamente funcional, e o código na base do copy paste. Mas deu para aprender as bases, e foi tudo na base do self learn.

Cheguei ao fim do ensino básico e não sabia o que fazer da minha vida, o que é perfeitamente normal. O que não é normal foi a minha dúvida: Letras ou Informática?

Sim, eu estive a muito pouco de ir para Letras. Num mundo ideal, teria ido para Letras, com a Informática em segundo plano. Desde a 1ª classe que demonstrei muita aptidão para escrever e ler, e se há algum talento que tenho, talvez seja esse. Mas acabei por ver que Letras não ia levar a lado nenhum senão desemprego, e desde então que não tenho cultivado muito a escrita (excepto a minha absoluta abominação pelo estilo de escrita pomposo que se usa muito por cá. Do género, “uso palavras caras, sou o maior”)

Fui então para o agrupamento 1 do Secundário, por ser mais geral e com mais opções, para o caso de mudar de ideias e não querer Informática. Mas acabei aí por cimentar a minha entrada na Faculdade de Engenharia. Dentro do curso também andei um bocado à deriva sem saber o que fazer, e só depois do meu primeiro emprego, numa consultora, percebi que não ia conseguir fazer outra coisa senão aquilo que tinha começado 10 anos antes: fazer sites.

Portanto, diria que a influência da minha família desde pequena ditou muita coisa, mas tudo o resto foi mesmo por paixão pela Web.

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