Eu e o Dinheiro

Não será difícil reparar que eu tenho uma enorme tendência para gastar dinheiro. Sou a pessoa que não ganha mal, mas que tem quase 0 dinheiro poupado, e no dia em que me acontecer alguma coisa estou tramada.

Tenho com as compras a relação que muita gente tem a comida, no sentido em que há gente que come chocolate porque o dia correu mal, porque tem sido uma semana difícil, etc. Eu faço muito isso com compras. Se há um dia que me sinto mais em baixo, é o dia em que a tentação de ir às compras é maior.

Porém, é raro ir às compras só porque sim; geralmente já tenho uma compra pensada há algum tempo – como foi o caso da mala Michael Kors – e lá acontece alguma coisa que me faz premir o gatilho da compra. Essas compras já muito pensadas não são coisas necessariamente que me façam uma falta imensa; pegando mais uma vez no exemplo Michael Kors, não precisava de uma mala de pele quando já tinha comprado uma Coccinelle há menos de três meses. Precisava mesmo era de um telemóvel novo, porque o meu está doente terminal. Isso fez com que fizesse uma compra sensata? Nope. fui para a mala, e o meu telemóvel continua doente terminal.

Este fim de semana foram dois pares de sapatos que me ficaram em 200€. Faziam-me falta, sim. Mas não esperei nem planeei a compra, simplesmente gastei o dinheiro. Sinto-me culpada por ter gasto tanto dinheiro, mas sinto-me mais feliz com aquilo que comprei, e é por isso que tenho este vício descontrolado.

No entanto! Não tenho dívidas que esteja a pagar com juros, ou seja, pago sempre os meus cartões de crédito a 100% todos os meses, sem atrasos. A questão é que, como chego a meio do mês sem dinheiro, viro-me para o cartão de crédito, e por sua vez o cartão de crédito come-me a liquidez do mês seguinte, e é um ciclo vicioso.

E depois, quando penso que é neste mês que me vou controlar, acontece sempre alguma coisa. Ou porque tive semanas muito stressantes, ou porque precisei mesmo de um casaco, ou porque o meu creme de noite para a cara acabou, ou porque quis comprar um novo gadget. Há sempre um motivo, e esse motivo pode chegar a chagar-me a cabeça durante semanas até ceder à tentação.

Pergunto-me se isto é caso para psicólogo. Parece um pouco exagerado, mas como sofro de ansiedade de forma mais ou menos permanente, até acredito que sejam duas situações relacionadas, e que um profissional me pudesse ajudar a perceber o porquê desta necessidade de compras, e o que é que estou a tentar compensar cada vez que pego no cartão de crédito.

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