Revejo-me muito

Chegar aos 30 sem “anel” nem emprego fixo. O que pensam os millennials?

Adorei esta peça. Houve tantas coisas que foram ditas que fizeram eco em mim, que foi quase como que uma iluminação. Como um “então afinal é por este motivo que me sinto desnorteada e em ansiedade quanto penso no futuro!” – as regras do jogo mudaram, e neste momento ninguém sabe ao certo quais são as novas regras.

Eu tenho alguma sorte no que toca ao emprego, e não tenho a preocupação dos recibos verdes, mas tenho na mesma a temática da realização profissional.

E agora, o que fazer? Quando é pouco realista ter casa própria, família e emprego para a vida, como os meus pais tinham?

Inquieta-me muito esta falta de previsibilidade na nossa vida. E ainda ontem estava a ter uma conversa com o Mr. IT que andava mais ou menos à volta disto, quando concluí com um “A vida desilude-me muito”, e eis que a peça termina com isto:

Nunca vi este filme, mas vou ver assim que possível.

Pressupostos

Há uns tempos, a minha equipa recebeu um colega novo. No momento em que ele chegou, só estava eu de Web, e a pessoa dos RH apresentou-me, “neste momento só está a Miss IT da tua equipa, Miss IT, este é o XPTO”.

Pequena apresentação de nossa parte, menina de RH explica algumas cenas e vai-se embora.

O rapaz vira-se então para mim e pergunta:

“Então és da equipa de Web?”

E eu pensei “não, estou aqui na mesa de web a fazer crochê”, e respondi “sim, sou de web.”

“Ah, e fazes o quê? Frontend?”

“Não…. faço backend”

Este é o momento em que vos explico porque é que esta interacção me irritou.

Para começar, assumiu que eu não pertencia àquela mesa; tendo em conta que não tinha trocado mais de 3 palavras comigo, deduzo que ele tenha chegado a esse pressuposto pela minha aparência / ser mulher.

Depois, conseguiu cavar o buraco mais fundo perguntando-me se fazia frontend. Frontend pode ser HTML, CSS, Javascript, e Backend pode ser PHP, bases de dados – digo pode ser porque depende sempre de área para área. Frontend é programar para a interface ficar bonita, Backend é programar para as coisas ficarem funcionais.

Mais uma vez, assumiu, pelo meu aspecto, que eu estava ali mas seria mais designer que outra coisa.

Estaria a mentir se dissesse que esta conversa de nem um minuto me deixou péssima impressão dele, e que não me tenho esforçado muito para meter mais conversa.

Posto isto, gosto de fazer Frontend e Backend, e Frontend é também bastante complexo à sua maneira. Só não gosto que assumam, pela minha cara, coisas sobre o tipo de trabalho que faço.