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A coisa soa bem mais espectacular do que realmente é.

Fui contactada por uma das organizadoras da conferência – que obteve o meu contacto através de um antigo chefe meu, que gosta muito de mim. Inicialmente achei que ela me estava a convidar para ir assistir à conferência, cujo tema é Mulheres na Tecnologia. E eu estava disposta a alinhar logo aí, vocês sabem que a temática é a minha praia, como indica todo este estaminé.

Depois é que percebi que me queriam a participar na conferência, numa mesa redonda, com mais 5 mulheres.

Aparentemente, vou ser a única programadora nessa mesa, e o objectivo é eu falar de como é esta vida de IT, e como é ser mulher na área. Um pouco o que eu já faço neste blog, na prática, só que à frente de algumas pessoas, e no que suponho que vá ser uma conversa com as outras pessoas na mesa.

Ainda não tenho bem noção da dimensão do evento, e pensar nisso assusta-me um bocadinho, portanto vou deixar isso para mais perto do dia.

Até lá, tenho de responder a umas perguntas, pois irá haver uma entrevista publicada no site, a apresentar cada um dos oradores.

No meio disto tudo, sinto-me num misto de pessoa importante e de “mas eu não sou nada de especial para me terem convidado”. No entanto, pretendo aproveitar esta oportunidade para expôr e desmistificar a figura de mulher informática, como também estabelecer contactos.

Estou no excitex total! E também assustada.

Agora, não vou dar muitos detalhes aqui sobre o evento em si, nem em que site irá aparecer o meu perfil, porque, como sabem, prefiro manter aqui o meu anonimato – já relatei aqui algumas situações desagradáveis que aconteceram comigo em ambiente profissional, e prefiro que não se saiba em que empresas foram. Não me parece que o blog seja o local adequado para lavar roupa suja e apontar nomes, mas expôr as situações sem elementos identificativos parece-me razoável.

Isso e digo aqui tanta parvoíce, que se fosse tentar ser uma pessoa respeitável para a conferência e depois viessem cá dar, iriam ficar muito desiludidos!

Posto isto, desejem-me sorte! Ainda falta algum tempo, mas vou-me preparar aos poucos.

Passagens a produção – léxico IT

Está na altura de explicar aqui algum do jargão utilizado na minha profissão, e alguns cocó shits frequentes – expressão não da minha autoria, mas muito utilizada pela minha pessoa para denominar bugs de variadas espécies.

Trabalho na área da Web, onde muito rapidamente podemos pôr coisas online e disponíveis para todos os utilizadores do site. Ou seja, se alguma coisa estiver mal, rapidamente podemos corrigir.

No entanto, muito raramente trabalhamos directamente sobre o site que está live – não queremos que os utilizadores do site vejam trabalho em progresso, tudo partido, etc.

Então, geralmente existem os seguintes ambientes de desenvolvimento, muito por alto:

  • Local – no meu computador tenho um ambiente montado onde trabalho. Só eu posso ver este ambiente.
  • Desenvolvimento – ambiente onde o resto da equipa também põe as suas alterações, e onde se testa para ver se não há conflitos.
  • Qualidade – já não tenho um ambiente destes há anos, mas a ideia é ser um ambiente onde há dados reais e onde a malta do negócio possa validar e uma determinada funcionalidade pedida está OK e como eles pediram.
  • Produção – o ambiente live, disponível para todos os utilizadores, com funcionalidades que passaram em todos os testes nos ambientes anteriores. Não convém haver erros neste ambiente, embora hajam SEMPRE bugs, como em qualquer software.

Portanto, quando eu falo em “subidas a produção”, “passagem a produção” ou “deploys”, quer dizer que estamos a pôr coisas novas online.

Dependendo dos sítios, há malta que defende que devia haver só uma subida por semana, outros que defendem que deve haver muitas. Eu sou pelos deploys frequentes, porque é mais fácil perceber onde se deu o cocó shit. Já estive em sítios onde se faziam passagens a produção semanalmente e era o fim do mundo sempre que aconteciam – tudo rebentava, por mais testado que estivesse, porque há sempre alguma coisa que é diferente no ambiente de produção e que não conseguimos prever.

Também há o caso em que determinadas coisas só podem ficar live a partir de uma determinada hora. Já tive de fazer deploys de madrugada. Não é agradável.

Posto isto, já falei neste blog das passagens a produção à sexta-feira. Porque são elas o Satanás desta área?

Em qualquer sítio que tenha um site live, com utilizadores e com um mínimo de reputação a manter, evitam-se os deploys à sexta-feira. Há quem diga que só não se faz deploys na sexta à tarde, outros o dia inteiro – actualmente, onde trabalho, é suposto não pormos nada em produção à sexta.

O motivo é relativamente simples: se por acaso alguma coisa é posta online e se revela problemática, o pessoal vai andar todo em stress para resolver antes do fim de semana. Também pode acontecer não se notar logo o bug, e durante o fim de semana é suposto alguém ir corrigir.

Muitas vezes dizem-me “oh pah é só alterar um texto”, e eu digo NÃO. Porque o alterar um texto é simples e não provoca estragos, à partida. Mas imaginem que outra coisa, que não previmos, vai também nesse deploy. Ou que o texto parte o styling (CSS) da página. Pumbas, tudo estragado, e lá vou eu ter de ir em modo bombeira apagar o fogo enquanto já só penso no fim de semana.

Resumindo, não há deploys à sexta-feira porque existe sempre um risco de dar merda, e não queremos merda a suceder durante o fim de semana. E planeamos a nossa semana e trabalho com isso em mente.

Esta regra também se aplica à hora de saída durante a semana. É tremendamente irresponsável meter coisas online e bazar pouco tempo depois, ou mesmo antes do deploy acabar, e vejo isso a acontecer com alguma frequência. Depois dá merda, e quem resolve? O Cristo que fica a trabalhar até às 21h.

Notem que acima, sublinhei o supostamente não pormos nada live à sexta. Isto é porque a malta do negócio gosta de viver na emoção, e muitas vezes pede paridelas MEGA URGENTES E QUE TÊM DE ESTAR LIVE NO FIM DE SEMANA.

70% das vezes que estas mega caganeiras acontecem, dá mesmo merda. Pessoalmente, quando estou em stress e sob pressão para resolver uma coisa grave em produção, demoro o triplo do tempo para a resolver do que em circunstâncias normais.

Concluindo: não se devem fazer passagens a produção à sexta-feira à tarde ou o dia inteiro, porque o risco de cocó shit acontecer é demasiado elevado e estragar o fim de semana a toda a gente.